21 de junho de 2010

Declaro-me vivo

Por Chamalú - Indio Quechua

Saboreio cada momento.

Antigamente me preocupava quando os outros falavam mal de mim. Então fazia o que os outros queriam, e a minha consciência me censurava.

Entretanto, apesar do meu esforço para ser bem educado, alguém sempre me difavamava. Como agradeço a essas pessoas, que me ensinaram que a vida é apenas um cenário. Desse momento em diante, atrevo-me a ser como sou.

A árvore anciã me ensinou que somos todos iguais.

Sou guerreiro:
a minha espada é o amor,
o meu escudo é o humor,
o meu espaço é a coerência,
o meu texto é a liberdade.

Perdoem-me, se a minha felicidade é insuportável,
mas não escolhi o bom senso comum. Prefiro a imaginação
dos índios, que tem embutida a inocência.

É possível que tenhamos que ser apenas humanos.

Sem amor nata tem sentido, sem amor estamos perdidos,
sem amor corremos de novo o risco de estarmos
caminhando de costas para a luz.

Por esta razão é muito importante que apenas o amor
inspire as nossas ações.

Anseio que descubras a mensagem por detrás das palavras;
não sou sábio,
sou apenas um ser apaixonado pela vida.

A melhor forma de despertar
é deixando de questionar se nossas ações
incomodam aqueles que dormem ao nosso lado.

A chegada não importa, o caminho e a meta são a mesma coisa.
Não precisamos correr para algum lugar,
apenas dar cada passo com plena consciência.

Quando somos maiores que aquilo que fazemos,
nada pode nos desequilibrar.
Porém, quando permitimos que as coisas sejam maiores do que
nós, o nosso desequilíbrio está garantido.

É possível que sejemos apenas água fluindo;
o caminho terá que ser feito por nós.

Porém, não permitas que o leito escravize o rio,
ou então, em vez de um caminho, terás um cárcere.

Amo a minha loucura que me vacina contra a estupidez.
Amo o amor que me imuniza contra a infelicidade
que prolifera, infectando almas e
atrofiando corações.

As pessoas estão tão acustumadas com a infeliciade,
que a sensação de felicidade
lhes parece estranha.

As pessoas estão tão reprimidas, que a ternura espontânea
as incomoda, e o amor lhes inspira desconfiança.

A vida é um cântico à beleza,
uma chamada à transparência.

Peço-les perdão, mas...
Declaro-me Vivo!


Luiz Espinosa (Chamalu), escritor boliviano que procura restaurar os antigos conhecimentos esotéricos dos Incas.

Recebi em forma de PowerPont (que é de Narina - ritamchio@hotmail.com) e foi reorganizado por Ricardo Lyra.

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